Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Artigo de Opinião no JN - Somos todos boavisteiros





O Porto é a minha religião. O Porto cidade / religião e o Porto clube, de que não me posso gabar de ter envergado a camisola pois quando tive a honra de o representar o fiz em tronco nu, vestido apenas com uns Speedos azuis e brancos - na minha adolescência fui atleta (medíocre, para grande pena minha) de natação do FCP, secção dirigida à época por um jovem engenheiro chamado Belmiro, que era a menina dos olhos do presidente Afonso Pinto Magalhães. 

Nesta minha dupla qualidade de portuense e portista, o Boavista sempre me mereceu sentimentos contraditórios. Tem coisas boas, como as camisolas (além de originais são bonitas)e o Bessa, um estádio à inglesa, adequado as raízes de um clube fundado pelos britânicos na antiga fabrica Graham.   

Tem, porem, coisas menos boas, como ter servido de biombo onde se abrigaram portuenses de confissão benfiquista ou sportinguista, o que conferiu ao Boavista ser um clube de conveniência.

O facto de Valentim Loureiro, o mais provável pai do Boavistao, ser sportinguista, foi uma fatalidade suplementar que ajudou a colar ao clube a imagem de ser uma espécie de segunda escolha ou prémio de consolação. 

Feito o desabafo, declaro acreditar sinceramente que os anos de ouro dos axadrezados, no dobrar do século - em que além de terem sido campeões nacionais foram frequentes passageiros do segundo e terceiros lugares da tabela, botaram figura na Liga dos Campeões e alcançaram as meias finais da Taça Uefa, ajudaram definitivamente o clube a deitar corpo, cimentando identidade e apetrechando-se com clientela própria de apoiantes em regime de exclusividade.

O drama foi que os suspeitos e invejosos do costume (a saber, os donos da bola no tempo de outra senhora) não perdoaram o grito de Ipiranga do Boavista e ficaram nervosos com a emergência a Norte de mais um grande.

E assim, há quatro anos, o Boavista foi compulsivamente atirado para uma injusta descida aos infernos, como dano colateral da conspiração para arrumar o F.C.Porto, montada por quem tentava desesperadamente obter na secretaria o que era incompetente para conseguir no relvado. Ou seja, quem se lixou foi o mexilhão, como bem diz o povo na sua imensa sabedoria.

O tempo tem vindo a provar que foram de pólvora seca todos os tiros furiosamente disparados pela dupla Mizé Morgado (realizadora do Apito Dourado) e Ricardo Costa (encenador do Apito Dourado), os organizadores de uma serie lamentável de fiascos e derrotas. 

Nesta semana, em que o Tribunal Administrativo do Circulo de Lisboa declarou ilegal a reuniao fantasma do Concelho de Justiça da FPF que despromoveu o Boavista, todas as pessoas de bem devem juntar a sua voz ao coro que exige justiça para o Boavista.

Queremos as camisolas axadrezadas de volta à primeira liga. Ate isso acontecer, somos todos Boavisteiros! justiça para o Boavista!


0 comentários:

Enviar um comentário